segunda-feira, 2 de julho de 2012

As consequências do medo em nossas vidas II


Houdon, Jean Antoine (French, 1741-1828). O Inverno.

Refletimos, na postagem anterior, sobre a importância de lidar com o medo de uma forma saudável, positiva. Nesta, desenvolvemos outros aspectos do tema.  
Boa semana e boa sorte!

     Não temamos amigos, confiemos sempre em Deus, que nunca nos desampara, que nunca percamos a fé e a esperança no amor do Cristo. Dificuldades temos nós todos, vocês que estão no corpo com as suas e nós, deste lado, com as nossas. Mas que possamos perceber que elas não passam de degraus que nos ajudam a subir, a evoluir em direção ao nosso Pai celestial.
    Todos os trabalhos são importantes, cada um de nós tem sua função neste imenso universo de Deus. Não nos afobemos, não podemos deixar que o desespero e a ansiedade tomem conta de nossas mentes. Deus tem para cada um de nós um plano muito maior e que vai muito além do nosso conhecimento.
Ele só pede uma coisa, que confiemos nele e em sua misericórdia, tudo nos será dado no momento oportuno. Todos serão chamados, aliás, já estão sendo chamados para as atividades na seara do Cristo, basta que calemos por um momento os nossos pensamentos, e escutemos a voz doce de Jesus que amorosamente nos conduz ao seu seio de luz.
     Fornecendo–nos as ferramentas necessárias para que possamos contribuir em sua obra, para que possamos ajudá-lo a iluminar o coração daqueles que sofrem males de toda sorte, neste plano e no nosso, mas para isso é necessário que tenhamos nosso coração aberto para as instruções do Mestre.
     Que cada um de nós possa senti-lo em cada momento de nossos dias e noites, para que esqueçamos nossas vicissitudes e deixemos desabrochar nossas virtudes, para que nos esforcemos em nos iluminar primeiro para que essa luz se espalhe sobre os que necessitam dela, e não fique presa em nossas mãos. Que possamos estar sempre atentos e vigilantes, sempre dispostos, a servir o Mestre com dedicação e amor, para que com a nossa ajuda a esse sol maravilhoso que é Jesus possa iluminar a nós todos cada vez mais.
     Obrigado,
     Do amigo do grupo Marcos.”
Psicografia. Jovem médium do grupo Marcos.

           Cada um de nós está nos planos de Deus. O Pai se preocupa, pessoalmente, com cada um de nós e tem um planejamento específico para que alcancemos a felicidade. É o que ensina a questão 963 de O Livros dos Espíritos.

“963. Deus se ocupa pessoalmente de cada homem? Não é ele demasiadamente grande e nós muito pequenos, para que cada indivíduo em particular tenha aos seus olhos alguma importância?

– Deus se ocupa de todos os seres que criou, por menores que sejam; nada é demasiado pequeno para a sua bondade.”

             O medo quando aceito como sentimento natural e utilizado como estímulo a prudência e a ordem cumpre sua função na obra de Deus. É preciso ter cuidado com o medo disfarçado, que não é admitido, o inconsciente. Quando o medo se disfarça de autoritarismo e de seriedade de fachada tem consequências negativas, esse medo fecha nosso coração as inspirações de Jesus e dos espíritos superiores. Quantos médiuns temem psicografar? Quantos não recebem as mensagens espirituais com medo da crítica autoritária e anticristã? São centenas. Se agirmos guiados pelo medo saudável que nos leva a ordem e prudência, receberemos as mensagens e as submeteremos a amigos lúcidos e equilibrados. Teremos a nosso favor o tempo para analisá-las, compará-las com outras mensagens de diferentes médiuns e chegaremos a uma avaliação equilibrada.
Analisemos o relato de André Luiz, que na década de 1940, alertava os médiuns dessa ameaça tão sutil e destrutiva que é o medo mal conduzido.

IX - Ouvindo impressões

Ao nosso lado, outro grupo de senhoras conversava animadamente:
— Afinal, Ernestina — indagava uma delas mais jovem — qual foi a causa do seu desastre?
— Apenas o medo, minha amiga — explicou-se a interpelada —, tive medo de tudo e de todos. Foi o meu grande mal.
Mas, como tudo isto impressiona! Você foi muitíssimo preparada.
Recordo-me ainda das nossas lições em conjunto. As instrutoras do Esclarecimento confiavam extraordinariamente no seu concurso. Seu aproveitamento era um padrão para nós outras.
— Sim, minha querida Lesta, suas reminiscências fazem-me sentir, com mais clareza, a extensão da minha bancarrota pessoal. Entretanto, não devo fugir à realidade. Fui a culpada de tudo. Preparei-me o bastante para resgatar antigos débitos e efetuar edificações novas; contudo, não vigiei como se impunha. O chamamento ao serviço ressoou no tempo próprio, orientando-me o raciocínio a melhores esclarecimentos; nossos instrutores me proporcionavam os mais santos incentivos, mas desconfiei dos homens, dos desencarnados e até de mim mesma. Nos estudiosos do plano físico, enxergava pessoas de má fé; nos irmãos invisíveis presumia encontrar apenas galhofeiros fantasiados de orientadores, e, em mim mesma, receava as tendências nocivas. Muitos amigos tinham-me em conta de virtuosa, pelo rigorismo das minhas exigências; todavia, no fundo, eu não passava de enferma voluntária, carregada de aflições inúteis.
— Foi uma grande infantilidade da sua parte — retrucou a outra —, você olvidou que, na esfera carnal, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas ao Infinito e à Eternidade. Nesse mister, é indispensável contar com o assédio de todos os elementos contrários.
Ironias da ignorância, ataques da insensatez, sugestões inferiores da nossa própria animalidade surgirão, com certeza, no caminho de todo trabalhador fiel.
São circunstâncias lógicas e fatais do serviço, porque não vamos ao mundo psíquico para descanso injustificável, mas para lutar pela nossa melhoria, a despeito de todo impedimento fortuito.
— Compreendo, agora — disse a outra —; todavia, o receio das mistificações prejudicou minha bela oportunidade.
— Minha amiga — tornou a interlocutora — é tarde para lamentar.
Tanto tememos as mistificações, que acabamos por mistificar os serviços do Cristo.

Extraído do livro Os Mensageiros. Psicografia Francisco Cândido Xavier, espírito André  Luiz. Edição FEB

quarta-feira, 27 de junho de 2012

As consequências do medo em nossas vidas



 Amigos e amigas,

   Antes de apresentarmos o texto, uma rápida notícia. Por motivos profissionais, estarei na região do Cariri, duas semanas por mês, pelos menos, até o fim do ano; por isso organizaremos um grupo de estudo - Espiritismo e Mediunidade - semelhante ao de Fortaleza. Quem estiver interessado entre em contato conosco por e-mail.

Grande abraço e boa semana!

A esperança na prisão do desespero.   Evelyn De Morgan (1855–1919)
              O medo mal conduzido faz que se vire as costas para a esperança.


      O medo pode e deve ser o nosso aliado, sempre. A partir da mensagem psicográfica que segue, desenvolvemos algumas reflexões sobre esse sentimento tão presente em nossas vidas e que deve ser o nosso aliado como ensina amigo espiritual.


           "O medo é algo que como muitas coisas têm dois lados, o positivo e o negativo, dependerá apenas de nós a forma de como ele agirá em nossa vida.
        Na maioria das vezes o encaramos como algo que gera sofrimento e dor, algo que nos impede o raciocínio lógico e nos deixa a mercê de pensamentos e sentimentos baixos, nos impedindo de seguir o nosso caminho rumo à felicidade verdadeira.
Certas atitudes nossas comprovam que muitas vezes ficamos inseguros diante das mais diversas situações, queremos viver, mas temos medo da vida e do que se apresenta diante dela em nossas existências. Queremos morrer com a ilusão de acabarmos com os problemas e encontrarmos o paraíso, porém, quando nos deparamos com a morte temos medo, ficamos aterrorizados com nossa própria realidade.
      Se conseguirmos enxergar outras possibilidades, veremos o medo como algo útil, o medo de errar, por exemplo, nos faz ser mais vigilantes em nossas atitudes. O medo quando não em demasia de “perder” (como muitos dizem) uma pessoa querida faz com que cuidemos e dediquemos todo nosso amor àquela pessoa.
Nesse caso, então, o que seria realmente o medo? Algo neutro? Se é que posso definir desta forma. Algo que todos nós em determinada altura da vida desenvolvemos, um sentimento, uma sensação?
      Ele pode sim ter uma dessas interpretações ou até mesmo todas elas, o fato em questão é que normalmente lidamos muito mal com algo tão natural do ser humano. Estou certo de que não exista nenhuma fórmula pronta para que nos livremos ou saibamos lidar com o medo.
      Acredito que a forma como cada um de nós encara isto depende exclusivamente de nosso estado de espírito dentro de nossas individualidades. Só é necessário que a cada momento de nossa vida possamos ir nos preparando intimamente para as mais diversas situações de nossa existência. Para que mesmo que ainda não consigamos vê-las como algo neutro, possamos então percebê-las como algo que sempre tem um lado positivo.
      Devemos ao menos parar um pouco e refletir, será que o medo que senti em determinado momento não teve utilidade alguma, será que não me trouxe um aprendizado, um alerta para que eu reveja a forma como estou vivendo minha vida?
       Refletir apenas parece pouco, mas não é; é sim um grande passo, um passo importante, pois é a partir do ato de pensar que descobrimos a verdadeira essência das coisas, a maneira providencial de como tudo se encaixa perfeitamente no universo, sem falhas.
      Para que um dia não fiquemos aterrorizados ao ouvir essa palavra “medo”, que acaba sendo uma reação de cada indivíduo para os acontecimentos da existência e que têm efeito benéfico ou não de acordo com nossa interpretação. Rogo a Deus que um dia todos nós espíritos ainda tão imperfeitos diante da grandeza do Pai, possamos seguir fielmente o modelo do Cristo, a sua percepção da vida, para que todos os sentimentos que ainda nos perturbam possam ser vistos como é tudo aquilo que Deus nos oferece: Bênçãos.
      Que ao lembrarmo-nos de algo que nos cause medo ou pavor, pensemos que o Mestre nunca nos falta, e se procurarmos em nosso ser, iremos encontrar o porquê e o significado das coisas para nós, e se não encontrarmos, é porque a misericórdia divina não o permite para o nosso próprio bem e crescimento.
Então carinhosamente o Cristo nos ajudará a transformar esse sentimento em amor e luz, que penetra em nossos corações nos enchendo com sua paz tão infinita.

Obrigado, muito obrigado meus amigos pela oportunidade,

De um amigo do grupo Marcos"

Psicografia. Jovem amiga participante do grupo Marcos.

      O conceito de medo exposto pode ser entendido como semelhante ao de Rousseau e o da Codificação.  Afirma o filósofo iluminista que “Tudo é certo saindo do Autor de todas as coisas.” O Livro dos Espíritos, na parte terceira, fala-nos do instinto de conservação que induz a todos os seres vivos a se preservarem do perigo. Portanto, a origem do sentimento está na constituição do ser, é criação de Deus.
Por que essa compreensão é importante? Porque o medo, estando inserido na criação divina, não deve ser combatido como um inimigo, e sim, utilizado como amigo, pois Deus não nos daria nada que não fosse importante para a nossa felicidade. Como afirma o amigo espiritual, o problema surge porque “lidamos muito mal com algo tão natural”, saber lidar com as dádivas de Deus é o aprendizado que temos que desenvolver em nossa atual fase evolutiva. Quando não sabemos lidar com o fogo, podemos gerar muitos acidentes; assim acontece com o medo, observemos algumas destas consequências. Tanto o autoritarismo como o desleixo; bajulação e irresponsabilidade: relação de submissão e mando são frutos do sentimento de medo mal conduzido.
      Erich Fromm, em O Medo à Liberdade, ao estudar a origem psicológica do nazismo, demonstra que a aceitação de um líder “forte” e inquestionável baseava-se no medo desenvolvido na população, no sentimento de insegurança pessoal.
Em nosso dia a dia, ante uma situação que nos amedronta, tendemos a buscar alguém “forte” e “valente” para nos proteger e com isso, muitas vezes, alimentamos uma relação de submissão e mando. Isso acontece em nosso mundo material, bem como no mundo espiritual. Esse padrão de relação difere totalmente da relação do Cristo com os apóstolos, de Gandhi com seus discípulos e de Eurípedes com seus alunos.
      O sentimento do medo bem conduzido traz resultados excelentes, como explica o amigo espiritual. O cuidado e o respeito pelo outro para que possamos conviver mais e melhor com quem amamos; a atenção com a saúde para evitarmos os sofrimentos da doença; a superação de vícios para não destruirmos o que temos de melhor; a preocupação com o cumprimento da programação reencarnatória para não voltarmos como fracassados a vida verdadeira; o cultivo do respeito (respeito verdadeiro como ensinou Kardec) na relação com os amigos espirituais para que eles não nos abandonem.
      Após entender o quando o medo pode nos trazer de benefícios ou de infelicidades, naturalmente perguntamos: como melhor lidar com o medo? Não há fórmula mágica, alerta o amigo espiritual, mas existem muitos métodos. Refletir qual a utilidade do sentimento de medo em cada situação específica é um deles. E para os que pensam que refletir é algo de pouco valor, destaco esse trecho “Refletir apenas parece pouco, mas não é; é sim um grande passo, um passo importante, pois é a partir do ato de pensar que descobrimos a verdadeira essência das coisas”. Aliada a essa reflexão, sugere o amigo que desenvolvamos o sentimento de segurança íntima vinculando-nos ao Cristo, por meio da oração e da compreensão de que Ele nunca nos abandonará. Parece-nos um sábio caminho a seguir. 
      O trecho final da mensagem explica que “o Cristo carinhosamente nos ajudará” observamos a maturidade dessa reflexão, pois o Cristo estrutura sua relação com todos nós com carinho e compreensão e não com o terror que gera o medo destrutivo. Assim também faz o amigo espiritual, ele não estimula o medo que desequilibra, mas ajuda-nos a superá-lo.